10 de mar de 2012

Filósofa grega é retratada no filme “Alexandria”, de Alejandro Amenábar


Maria Rita Medeiros Fontes*

O filme relata a história de Hipátia, filósofa e professora da escola de Alexandria, no Egito, entre os anos 355 e 415 da nossa era.
Única personagem feminina do filme, Hipátia dá aulas de filosofia, matemática e astronomia na escola nascida ao lado da famosa biblioteca criada por Alexandre Magno – O Grande. Seu pai, Theon, é o diretor da academia e o mentor da filósofa.
A cultura disseminada em Alexandria se deu à partir da combinação de fatos que  vão desde a estruturação da Biblioteca que acolheu quase todo conhecimento até então produzido ao mesmo tempo que atraiu os principais estudiosos da época juntamente com  alunos ávidos por novas descobertas transformando a cidade egípcia em um grande centro de estudos acadêmicos.
Após a conquista de Alexandria pelos Romanos, a cidade passa por constantes agitações provenientes de diversas orientações religiosas: a tradição dos judeus e do politeísmo helênico-romano se encontra com a efervescência do cristianismo, que passou de religião intolerada para intolerante, após a institucionalização da religião Cristã pelo Império Romano.
Dentre os alunos de Hipátia, destacam-se Orestes, que a ama sem ser correspondido, e Sinésio, adepto do cristianismo. Há também o escravo Davus, que ama, secretamente, a filósofa. Entretanto, Hipátia não deseja se casar, mas se dedicar à Ciência e à Filosofia. O filme retrata sua paixão pelo estudo e sua incansável procura por respostas sobre o movimento da terra em torno do sol.
Em uma época de conflitos sobre a fé, ficam evidentes os vários enfrentamentos entre cristãos, judeus e a cultura greco-romana. Aos poucos os cristãos se apoderam da situação e passam a provocar conflitos entre os cidadãos.
Orestes se torna prefeito de Alexandria permanecendo fiel ao seu amor por Hipátia, com quem mantém constantes discussões filosóficas. O escravo Davus, que teve sua liberdade concedida por Hipátia, se debate entre a fé cristã e a paixão por sua antiga proprietária. O líder cristão Cirilo passa a dominar a cidade, mobilizando ordas de monges que atuam como protetores do dogmatismo católico do início do cristianismo. Estes encontram na ligação entre Orestes e Hipátia o ponto de fragilidade do poder romano, iniciando uma campanha de enfraquecimento da influência de Hipátia sobre o prefeito, usando as escrituras sagradas para acusá-la de ateísmo e de comportamento inadequado para uma mulher.
Além de narrar a vida e a morte de Hipátia, o filme mostra os conflitos que se seguiram entre os que professavam a nova religião cristã,  o judaísmo e o politeísmo Greco-romano.
O conflito central se refere à atitude independente da filósofa, condenada pelo cristianismo por confrontar com seu comportamento o papel de subordinação pregado para as mulheres. Por ter se recusado a se converter ao cristianismo e por não se comportar como era esperado para uma mulher, Hipátia foi acusada de ateísmo e condenada sem julgamento.
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* Maria Rita Medeiros Fontes é filósofa, mestranda em Filosofia pela Universidade Federal de Goiás, e atualmente trabalha como Gerente de Projetos e Interiorização das Ações, da Secretaria de Políticas para Mulheres e Promoção da Igualdade Racial.




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O filme "Alexandria", será exibido nessa quinta-feira 08/03, às 19h, na sexta-feira (09/03), às 15h e no sábado 10/03 (sessões 12h30, 15h e 19h), no Goiânia Cine Ouropela Semira Mostra Mulheres no Cinema (ingressos: R$1).

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